A vida em semanas

Sua vida, um quadrado de cada vez.

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A única unidade desta grade sem céu por trás 🖖

Dias, meses e anos são astronomia — uma rotação, uma lunação, uma órbita. A semana é a exceção: o evento celeste mais próximo é um quarto de lunação, 7,38 dias, e quatro semanas de sete dias ficam cerca de um dia e meio abaixo do mês de 29,53 dias, então a semana não consegue acompanhar a Lua sem derivar. Por não estar amarrada a nada, é a unidade que os governos se sentiram livres para redesenhar. A França revolucionária impôs a décade de dez dias de 1793 a 1806; a União Soviética adotou semanas de cinco dias a partir de 1929, de seis a partir de 1931, e só restaurou a de sete em junho de 1940. Ambas recuaram. Sob a décade, este mesmo século seria 3.652 quadros em vez de 5.218.

Por que semanas, e não anos 🖖

Um ano é grosseiro demais para se sentir e um dia fino demais para planejar, mas a semana é a unidade natural da vida humana: você ainda lembra o que fez na semana passada e, mesmo assim, um período inteiro de 100 anos cabe num relance em 5,200 pequenos quadrados. Disposto assim, o vago «algum dia» vira uma grade contável — é exatamente esse o sentido de um memento mori. Para guardar: até uma vida longa de 90 anos soma menos de 4,700 desses quadrados.

A grade omite 18 semanas sem avisar 🖖

A matriz comprime um século em 52 colunas × 100 linhas = 5,200 células, mas um ano civil não tem exatamente 52 semanas: são 365.2425 ÷ 7 ≈ 52.18 semanas. Em 100 anos isso soma cerca de 5,218 semanas, de modo que a grade bem-arrumada descarta em silêncio cerca de 18 delas — quase quatro meses de vida. É o mesmo desvio da semana bissexta que obriga alguns calendários a acrescentar uma 53ª semana em certos anos.

Referências (1)