Calculadora de Desvio para o Vermelho Cosmológico

Estique um fóton através do universo em expansão. Defina z, escolha um comprimento de onda emitido e veja o espectro se deslocar.

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Três horizontes diferentes, e só num deles v = c 🖖

O desvio para o vermelho cosmológico é muitas vezes descrito como efeito Doppler, mas é mais subtil. Uma galáxia não se move pelo espaço — o espaço entre nós e ela se estica, e o comprimento de onda do fóton cresce em proporção ao fator de escala a(t). Em z baixo a distinção é acadêmica, já que as duas imagens dão v ≈ H₀d. Passado z ≈ 1,5 a velocidade de recessão excede c, o que é impossível para movimento pelo espaço e nada notável para o espaço em si: o limite de velocidade da relatividade rege o deslocamento pelo espaço-tempo, não a sua expansão. Três distâncias distintas se confundem aqui. A recessão alcança c no raio de Hubble, c/H₀ ≈ 14,5 bilhões de anos-luz — e observamos rotineiramente galáxias muito além dele, a prova mais simples de que recessão superluminal não esconde nada. O que não conseguimos ver além é o horizonte de partículas, a cerca de 46 bilhões de anos-luz, a distância que a luz teve tempo de percorrer. E o que é permanentemente inalcançável é fixado por uma terceira superfície, o horizonte de eventos, perto de 16 bilhões de anos-luz: a luz que hoje deixa uma galáxia além dele nunca chegará.

O que o desvio para o vermelho realmente mede 🖖

A luz de uma galáxia distante chega com seus comprimentos de onda esticados para o vermelho. Divida o comprimento de onda observado pelo emitido, subtraia 1 e você tem z. Quanto maior o z, mais tempo a luz viajou — então z é ao mesmo tempo o relógio e a régua do cosmos. Em z = 1, a luz deixou sua galáxia há cerca de 8 bilhões de anos, quando o universo tinha metade do tamanho atual (fator de escala a = 1/(1+z) = 0.5).

O desvio para o vermelho também estica o tempo 🖖

A expansão estica cada comprimento de onda por um fator (1+z) — mas estica a duração dos eventos pelo mesmo fator. Uma supernova do tipo Ia em z = 1 é observada brilhando e desvanecendo ao longo do dobro de dias que uma idêntica próxima. Foi exatamente esse esticamento que se mediu, descartando a velha ideia da 'luz cansada': só uma expansão real atrasa o relógio além de avermelhar a luz.

Problema resolvido na íntegra

  1. Velocidade de recessão quando a linha Hα do hidrogénio chega a 721,6 nm 5 passos

    A linha Hα do hidrogénio sai de uma galáxia a 656 nm e chega a 721,6 nm. Determine a velocidade de recessão. A fórmula óbvia erra por cerca de 1500 km/s aqui, e a desvios para o vermelho mais elevados falha por completo.

    1. O desvio para o vermelho é definido como o alongamento fracionário do comprimento de onda, pelo que é lido diretamente a partir dos dois números. z = 0,1: a luz chegou 10% mais vermelha do que partiu.

    2. A fórmula a que quase toda a gente recorre é v = cz, herdada do efeito Doppler a baixas velocidades. Resulta em 29 979 km/s, um décimo da velocidade da luz.

    3. Mas um décimo da velocidade da luz não é uma velocidade baixa. A relação Doppler relativística associa 1 + z a uma raiz quadrada de (1 + β)/(1 − β); resolver em ordem a β exige uma linha de álgebra e dá 0,09502, e não 0,1.

    4. Isso dá 28 487 km/s. O valor ingénuo sobreestima-a em 5,2% — aproximadamente 1500 km/s, o que é maior do que as diferenças de velocidade sobre as quais os astrónomos discutem habitualmente.

    5. Leve z a 1 e a discrepância deixa de ser uma mera correção. v = cz resulta exatamente em c; a fórmula relativística devolve três quintos desse valor.

    Resposta

    A ferramenta mostra 721,6 nm, 28 487 km/s e 9,50% de c, com um fator de escala de 0,9091 — o universo tinha 91% do seu tamanho atual quando essa luz partiu. A ideia a reter é o passo 5: a z = 1 o atalho devolve exatamente a velocidade da luz, enquanto a resposta é 0,600c. Clique na predefinição de campo profundo e verifique. As galáxias são catalogadas a z = 7 e além, onde cz lhe daria sete vezes a velocidade da luz — o que não é um paradoxo sobre a relatividade, mas sim uma fórmula a ser utilizada muito fora do regime em que foi deduzida.

Referências (2)

Problemas de exemplo

  • Galáxia local (z=0,01) - Hα parte aos 656 nm e chega aos 662,6. Esses poucos nanómetros são a medição completa: a partir deles o painel lê 2.983 km/s, uma distância comóvel de 42,7 Mpc e luz que partiu há 0,139 Gyr, quando o universo se ficava por 0,9901 do seu tamanho atual. Um alongamento de um por cento revela logo cento e quarenta milhões de anos de viagem.
  • Campo profundo do Hubble (z=1) - z = 1 é o caso mais claro. A linha de 656 nm chega a 1312,0, exatamente duplicada, e o fator de escala indica 0,5000 — o universo tinha metade do tamanho atual. A luz viaja há 7,655 Gyr. É mais de metade da idade do universo. A velocidade de recessão resulta em 60,00% de c, onde a fórmula simples v = cz teria apontado 100%.
  • Quasar (z=3) - z=2.5: quasar distante, tempo de retrocesso ~11 Gyr
  • Radiação cósmica de fundo (z=1089) - z=1089: radiação cósmica de fundo, T~3000 K na época