Titulação ácido-base

Acompanhe a curva de pH conforme a base é adicionada. Compare o salto acentuado de um ácido forte com o patamar tampão de um ácido fraco.

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A equação do tampão só vale na região tampão 🖖

A equação de Henderson-Hasselbalch pH = pKa + log([A⁻]/[HA]) é uma das equações mais usadas na bioquímica. O plasma sanguíneo é tamponado em pH 7,4 pelo sistema ácido carbônico/bicarbonato (pKa 6,1): a razão 20:1 entre bicarbonato (24 mmol/L) e CO₂ dissolvido (1,2 mmol/L) é o que coloca o pH em 6,1 + log 20 = 7,40, e ela é fortemente alavancada: acrescente 1 mmol/L de CO₂ dissolvido e a razão cai para 24/2,2, levando o pH a 7,14, já em acidose perigosa. Formulações farmacêuticas, ensaios enzimáticos e eletroforese dependem de tampões ajustados ao pKa correto. A equação só é válida na região tampão (aproximadamente pKa ± 1,5 unidades de pH) — fora dessa faixa a aproximação deixa de valer e é preciso usar expressões exatas de equilíbrio.

Descobrir uma concentração oculta 🖖

Uma titulação responde a uma pergunta simples: quanto ácido há nesta solução? Adiciona-se base gota a gota até neutralizar exatamente o ácido — o ponto de equivalência — e, como se conhecem a concentração e o volume da base, calcula-se de volta a do ácido. O truque está no pH: bem nesse ponto, uma gota a mais faz o pH variar várias unidades, de modo que a mudança de cor de um indicador marca o ponto final. Arraste o controle Vb para ver o salto.

Alguns ácidos são fracos demais para titular 🖖

Aumente o controle do pKa e veja o salto no ponto de equivalência ir se achatando. Como regra, um ácido só dá um ponto final nítido e aproveitável em água se seu Ka for maior que cerca de 10⁻⁸ (pKa abaixo de ~8); mais fraco que isso, a base conjugada toma de volta tantos prótons da água que a curva deixa de ter um degrau claro para qualquer indicador captar. Os químicos contornam isso titulando esses ácidos em solventes não aquosos que não competem com a reação.

Problema resolvido na íntegra

  1. Uma solução 0,1 M de um ácido fraco com pK a 4,76 5 passos

    Uma solução 0,1 M de um ácido fraco com pKa 4,76 tem um pH de 2,88. Um ácido forte à mesma concentração teria pH 1,00. Determine para onde vai a diferença.

    1. Um ácido fraco não se dissocia completamente. A constante de equilíbrio determina até onde a reação avança, e 10^−4,76 é um número pequeno, pelo que não avança muito.

    2. Escrever o equilíbrio com x para a concentração de iões de hidrogénio resulta numa equação do segundo grau, e a aproximação padrão é desprezar x face à concentração inicial. O passo 5 verifica se tal era permitido.

    3. Assim, a concentração de iões de hidrogénio é a média geométrica de Ka e da concentração — a raiz quadrada é a razão pela qual o pH fica a meio caminho entre os dois numa escala logarítmica.

    4. Calculando o logaritmo negativo obtém-se 2,88.

    5. Apenas 1,32% do ácido se ionizou, o que justifica a aproximação e responde à pergunta: um ácido forte a 0,1 M fornece 0,1 M de iões de hidrogénio e pH 1,00, pelo que o ácido fraco fornece 76 vezes menos.

    Resposta

    A ferramenta apresenta pH 2,88, [H⁺] = 1,32 × 10⁻³ e um volume de equivalência de 25,00 mL. Daqui decorrem duas consequências. O pH situa-se entre o valor do ácido forte e o neutro porque a raiz quadrada reduz o expoente para metade — que é o que a fórmula pH = ½(pKa − log C) indica. E o volume de equivalência não depende de todo da força do ácido: é determinado apenas pelo número de moles, pelo que um ácido fraco e um forte à mesma concentração precisam exatamente dos mesmos 25 mL de base. A força altera a forma da curva e a posição do salto, nunca onde ele termina. Defina o volume de base para metade do volume de equivalência e o pH indica 4,76 — exatamente o pKa.

Referências (3)

Problemas de exemplo

  • HCl + NaOH - Ácido forte + base forte: ponto de equivalência acentuado em pH 7
  • Ácido acético - Os mesmos 0,1 mol/L e os mesmos 25 mL da predefinição do HCl, mas o béquer começa no pH 2,88. O ácido acético liberou 1,32 × 10⁻³ mol/L de íons hidrogênio de um total possível de 0,1. É aproximadamente uma molécula em cada setenta e cinco. O volume de equivalência continua sendo 25,00 mL. Afinal, você titula todo o ácido, quer esteja dissociado ou não.
  • Amônia - O amônio é o ácido mais fraco desta linha, com pKa 9,25, mas a 0,1 mol/L ainda é ácido. O pH fica em 5,13 com [H⁺] a 7,50 × 10⁻⁶ mol/L. Observe a fórmula que o painel utiliza, pH = ½(pKa − log Ca). Trata-se de uma média. O pKa desloca o pH inicial pela metade. Aumente 9,25 em dois e o pH sobe um.
  • Fosfórico (1ª) - O primeiro próton do ácido fosfórico quase nem chega a ser fraco. A 0,1 mol/L, o painel abre no pH 1,57 com [H⁺] a 2,66 × 10⁻² mol/L. Mais de um quarto já se dissociou antes de uma única gota de base. O rótulo diz primeiro porque há três. Cada um precisa dos seus próprios 25,00 mL. Esta curva traça apenas o primeiro.