Retrato de Fase do Pêndulo

Arraste o ângulo inicial para ver como o pêndulo não linear difere da aproximação linear. O retrato de fase revela a topologia do sistema.

A carregar a simulação interativa...

O único balanço que leva uma eternidade 🖖

A separatriz é a única trajetória que nunca chega a se fechar: é o caminho que um pêndulo traça se for solto exatamente em θ = 180° com velocidade zero, oscilando indefinidamente sobre o equilíbrio invertido antes de finalmente descer. Como a força restauradora se anula exatamente no topo, o pêndulo precisa de um tempo infinito para deixá-lo — por isso o período exato calculado aqui (via a integral elíptica K(m)) diverge à medida que θ0 se aproxima de 180°, mesmo que a fórmula linear de pequenos ângulos T = 2π√(L/g) permaneça perfeitamente finita. Toda trajetória dentro da separatriz oscila para frente e para trás; toda trajetória fora dela — com energia suficiente — simplesmente continua girando por cima do topo em vez de oscilar.

Um mapa de cada oscilação possível 🖖

Em vez de observar um pêndulo balançar ao longo do tempo, um retrato de fase representa o seu ângulo em função da sua velocidade angular. Cada ponto captura o estado completo do pêndulo num instante, e seguir esse ponto traça um único laço fechado — uma oscilação que se repete para sempre. O diagrama inteiro mostra todos os movimentos possíveis de uma só vez, de modo que um leve bamboleio e uma oscilação ampla aparecem como laços aninhados na mesma imagem. Quanto maior o laço, mais energia o pêndulo carrega.

O período esconde a média mais rápida de Gauss 🖖

O período exato é 2π√(L/g) / M(1, cos(θ₀/2)), onde M é a média aritmético-geométrica — um número que Gauss encontrou substituindo repetidamente dois valores pela sua média comum e pela sua média geométrica. As duas médias aproximam-se velozmente, duplicando a quantidade de dígitos corretos a cada passo, de modo que três rodadas já fixam o período. Em θ₀ = 90° isto dá T = 1.18 × Tlinear, o mesmo alongamento de 18 % que a integral elíptica fornece.

Problema resolvido na íntegra

  1. O período de um pêndulo de 1 m largado do repouso a 30° 11 passos

    Um pêndulo de 1 m é libertado do repouso a 30°. Determine o seu período exatamente — a fórmula do manual escolar não é a resposta — e, em seguida, determine quão próximo da vertical teria de o libertar para estender uma oscilação completa a 10 s. Considere g = 9,81 m/s², sem amortecimento.

    1. Duas grandezas determinam a frequência natural, e a massa não é uma delas: multiplica cada termo da equação do movimento e simplifica-se antes de qualquer outra coisa acontecer.

    2. Substitua sin θ por θ e o que resta é um oscilador harmónico, cujo período é 2π/ω0. Observe o que foi omitido: θ0. A independência em relação à amplitude é uma propriedade dessa substituição, não do pêndulo.

    3. Agora faça-o sem a substituição. A conservação da energia não necessita de ângulos pequenos — a energia cinética ao ângulo θ é exatamente a energia potencial libertada na queda a partir de θ0 — por isso, resolva em ordem à velocidade angular.

    4. O tempo é a distância sobre a velocidade, integrada, e um quarto de período é a oscilação de 0 até θ0. O ângulo de libertação está de volta, figurando simultaneamente na função integranda e no limite superior, pelo que o período não pode ser independente dele.

    5. A função integranda diverge em θ = θ0, e a identidade cos θ = 1 − 2sin²(θ/2) mostra que a divergência é apenas a raiz quadrada de um zero simples: a diferença de cossenos é uma diferença de quadrados. Designe por k o seno de metade da amplitude, e deixe φ variar de 0 a π/2 enquanto θ varia até θ0.

    6. A raiz problemática cancela-se agora com dθ, e o que resta é o integral elítico completo de primeira espécie — a fórmula que o painel acima apresenta, que escreve o seu argumento como sin²(θ0/2), ou seja, k², e não k.

    7. K não tem uma forma fechada elementar, mas a sua função integranda tem: uma série binomial em u = k²sin²φ, cujos coeficientes são os coeficientes binomiais centrais.

    8. Integrando essa série termo a termo, o integral de Wallis devolve exatamente o mesmo cn que a expansão binomial acaba de produzir. Essa coincidência é todo o truque.

    9. Cada termo recolhe, portanto, cn duas vezes, pelo que cada coeficiente da série do período é o quadrado de um coeficiente binomial: 1/4, 9/64 e 25/256 são os quadrados de 1/2, 3/8 e 5/16.

    10. A 30°, a metade da amplitude é 15°, pelo que k² é apenas 0,067 e cada termo é mais de 20 vezes menor do que o anterior. Parando ao fim de 3 termos, obtém-se 1,017378, que multiplicado dá 2,0409 s; o 4.º termo é o que altera o último dígito.

    11. Multiplique. Este é o período exato que o painel apresenta, e 1,0174 é a razão apresentada ao seu lado — ambos obtidos sem avaliar K numericamente uma única vez.

    Resposta

    2,0410 s, quando a fórmula para ângulos pequenos prometia 2,0061 s. A série que nos trouxe até aqui tem um alcance reduzido: os seus termos contêm k2n com k = sin(θ0/2), pelo que, à medida que o ângulo de libertação se aproxima da vertical, eles deixam de diminuir e o integral tem de ser enfrentado diretamente. Aí, K(k) cresce como ln(4/cos(θ0/2)) — o período diverge efetivamente a 180°, mas apenas de forma logarítmica, e um logaritmo é algo cruel de inverter. Um período de 10 s, cerca de 5 vezes o valor para ângulos pequenos, exige uma libertação a menos de 0,182° da vertical. Duplicá-lo para 20 s eleva a exigência ao quadrado: 7,2×10⁻⁵ graus, aproximadamente 2500 vezes mais rigorosa. O pêndulo não ganha esse tempo movendo-se lentamente ao longo de toda a trajetória — passa quase a totalidade dele dentro dessa última fração de grau.

Referências (2)

Problemas de exemplo