Crescimento populacional e caos

Explore a dinâmica populacional: o crescimento logístico contínuo e o caminho do mapa logístico discreto rumo ao caos.

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O caos vem de picar o tempo em passos 🖖

A equação logística contínua se comporta notavelmente bem: qualquer que seja a taxa de crescimento que você lhe dê, a população sobe ou desce suavemente e se acomoda na capacidade de suporte, sem oscilação e sem surpresas, para sempre. Todo o comportamento selvagem aparece somente quando o mesmo modelo é escrito em gerações discretas, xₙ₊₁ = r xₙ(1 − xₙ). Ali o estado estacionário só permanece estável enquanto r está abaixo de 3, divide-se num ciclo de dois anos em r = 3, duplica de novo e de novo, e se dissolve em caos por volta de r = 3,5699. A mesma biologia, o mesmo parâmetro — a diferença é se a reprodução acontece continuamente ou uma vez por estação. O caos é uma propriedade do passo de tempo, não da população.

Por que as curvas de crescimento achatam num S 🖖

No modelo contínuo, uma população cresce mais depressa quando atinge metade da capacidade de suporte. À medida que se aproxima de K, a concentração de indivíduos reduz o alimento e o espaço disponíveis para cada um; o crescimento abranda e a curva estabiliza suavemente, assumindo a forma de um S. Selecione o separador Contínuo e observe como o crescimento máximo ocorre no ponto de inflexão, exatamente em N = K/2, e não no início.

Um caos que se resolve com uma fórmula 🖖

Em r = 4 o mapa discreto é totalmente caótico e, ainda assim, tem uma solução exata em forma fechada: escrevendo x = sin²(π θ), cada passo se reduz a dobrar θ e manter a parte fracionária. Em binário, dobrar apenas desloca os dígitos para a esquerda, de modo que a órbita "imprevisível" na verdade apenas lê os bits sucessivos do valor inicial. Ela só parece aleatória porque fixar θ exigiria precisão infinita.

Problema resolvido na íntegra

  1. O modelo discreto com 80 gerações 5 passos

    Determine onde uma população estabiliza quando a sua própria regra de crescimento não a deixa estabilizar. Este é o modelo Discreto, xt+1 = rdxt(1 − xt), com rd = 3,2, x0 = 0,1 e 80 gerações.

    1. Um equilíbrio é um valor que a aplicação devolve inalterado. Resolvendo a equação obtêm-se duas raízes, e a útil é a fração não nula da capacidade de carga: 68,75% de ocupação.

    2. A existência de um ponto fixo não é o mesmo que uma população alcançá-lo. Desloque ligeiramente a população e a aplicação multiplica esse erro pelo declive a cada geração, pelo que o equilíbrio só se mantém enquanto o declive for menor do que 1 em módulo. Em rd = 3,2 é de −1,2: o sinal de menos atira a população para o outro lado de 0,6875 a cada ano, e o 1,2 coloca-a mais longe do que no início.

    3. Assim, procure-se antes um par de valores que troquem de lugar. Qualquer valor que se repita ao fim de dois passos resolve f(f(x)) = x, que é uma equação do quarto grau — mas 0 e 0,6875 já a resolvem, visto que tudo o que se repete ao fim de um passo se repete ao fim de dois. Dividindo por essas duas raízes conhecidas, resta uma equação do segundo grau.

    4. As raízes da equação do segundo grau são o ciclo. A 80.ª geração da ferramenta é a menor delas, em todos os seis dígitos que apresenta; a 79.ª é a maior.

    5. O ciclo é um ponto fixo de f aplicada duas vezes, pelo que se aplica o mesmo teste de estabilidade, e o seu declive é o produto dos declives nos dois pontos. Em 0,16, o ciclo reduz os erros por um fator de seis a cada passo duplo, razão pela qual 80 gerações a partir de um valor inicial nada próximo dele vão parar exatamente sobre ele. Aumente-se rd até que esse produto atinja −1 e o ciclo de período 2 perde, por sua vez, a estabilidade.

    Resposta

    A ferramenta apresenta 0,513045 e rotula o regime como Oscilação de período 2. Nem um único dígito desse valor é aproximado: trata-se de (4,2 − √0,84) / 6,4, um número algébrico, e o regime transitório extinguiu-se décadas de gerações antes do passo 80. O mecanismo vale mais do que o número. O equilíbrio em 0,6875 não desapareceu em rd = 3 — continua lá em 3,2, sendo ainda uma solução perfeitamente válida e simplesmente inalcançável, e o que o substituiu nasceu já estável. Isso volta a acontecer em 1 + √6 = 3,4495, depois em 3,5441 e em 3,5644: janelas de 0,4495, 0,0946 e 0,0203, cada uma aproximadamente 4,7 vezes mais curta do que a anterior. Uma sucessão geométrica decrescente tem uma soma finita, pelo que infinitas duplicações cabem abaixo de 3,5699, e para lá dessa fronteira já não resta qualquer ciclo, de comprimento algum, onde estabilizar.

Percurso de aprendizagem

Crescimento limitado

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Referências (1)

Problemas de exemplo

  • Logístico - r = 0,5, com a população a subir de 10 até K = 1 000. A curva atinge a inclinação máxima em t = 9,19, precisamente quando N chega a 500; nesse ponto, a taxa é rK/4 = 125 por unidade de tempo.
  • Crescimento rápido - A taxa de crescimento é quatro vezes a do modelo logístico, por isso a população ultrapassa metade de K em t = 1,10, e não em 9,19. Mesmo assim, nunca excede K: no modelo contínuo, não há sobreelevação, seja qual for o valor de r.
  • Período 2 - Com r = 3,2, a população estabiliza em exatamente dois valores, 0,799455 e 0,513045, alternando entre eles indefinidamente. Acima de r = 3, o único estado estacionário desdobrou-se em dois.
  • Caos - Com r = 3,9, a população nunca estabiliza: nas últimas cem gerações, passa por cem valores distintos. Não há qualquer aleatoriedade; o mesmo valor inicial produz sempre a mesma sequência.