Dinâmica Predador-Presa
oscilações acopladas de predador-presa
defasagem de fase em ciclos ecológicos 🖖
O pico dos predadores sempre ocorre depois do pico das presas. Quando há abundância de presas, os predadores prosperam e se multiplicam — mas, quando o número de predadores atinge o pico, as presas já estão esgotadas. A população de predadores entra então em colapso por inanição, dando às presas a chance de se recuperar, e o ciclo se repete. Essa defasagem de um quarto de ciclo é uma consequência matemática das equações de Lotka-Volterra e corresponde a observações em sistemas reais de predador-presa, como o lince e a lebre americana.
órbitas fechadas, extinção e os limites do modelo 🖖
As equações exatas de Lotka-Volterra têm uma quantidade conservada — H = δx − γ ln x + βy − α ln y — que permanece constante ao longo de cada trajetória. Isso significa que as órbitas são, matematicamente, laços fechados: as populações oscilam para sempre sem espiralar para dentro ou para fora, e sem nunca realmente chegar a zero. Começando perto do equilíbrio (x★, y★), obtêm-se laços suaves, quase circulares. Começando longe — por exemplo, x₀ = 1, y₀ = 100 —, a órbita é uma excursão longa e estreita que produz ciclos em dente de serra bem marcados: os predadores entram em colapso por fome, a presa se recupera de forma explosiva, e então a fartura de predadores derruba a presa novamente. Essa forma em picos não é um artefato numérico; é a solução correta de grande amplitude. O que é um artefato é a própria sobrevivência. Numa equação diferencial contínua, as populações se aproximam de zero mas nunca o atingem. Num ecossistema real com animais discretos, esse ponto mínimo significa apenas um punhado de indivíduos — e eventos aleatórios então levam à extinção real. A simulação contorna isso limitando as populações a 0,01, mostrando assim a órbita matemática em vez da realidade biológica. Um modelo estocástico mostraria, em vez disso, que desequilíbrios iniciais extremos geralmente terminam em colapso.
O paradoxo do pesticida de Volterra 🖖
Vito Volterra formulou estas equações em 1926 para resolver um enigma proposto pelo seu genro, o biólogo Umberto D'Ancona: por que a proporção de peixes predadores nas capturas do Adriático havia aumentado durante a Primeira Guerra Mundial, quando a pesca quase parou? A resposta é o princípio de Volterra: uma mortalidade que atinge igualmente ambas as espécies eleva a população média de presas e reduz a de predadores. Isso explica por que inseticidas de amplo espectro podem sair pela culatra — matar as pragas e seus inimigos naturais costuma deixar mais pragas do que antes.
Problemas de exemplo
- ciclo equilibrado - Populações acopladas oscilam de forma persistente — os predadores atingem o pico cerca de um quarto de ciclo depois das presas.
- colapso de predadores - Baixa eficiência de conversão (δ = 0.05) significa que os predadores não conseguem se reproduzir rápido o suficiente para sustentar sua população.
- colapso de presas - Alta taxa de predação (β = 0.8) reduz as presas a níveis criticamente baixos — o sistema está próximo do colapso.