Lição
A teoria — Cifra de Vigenère: encontre o comprimento da chave e quebre a cifra
A cifra de Vigenère adiciona à mensagem uma chave que se repete letra a letra. Com A = 0 a Z = 25, a letra cifrada i calcula-se por (letra da mensagem i + letra da chave i mod L) mod 26; assim, cada letra da chave funciona como um deslocamento de César aplicado a cada L-ésima letra. O índice de coincidência de N letras, IC = Σ n(n − 1) / (N(N − 1)), dá a probabilidade de duas letras escolhidas em posições distintas serem iguais: 1/26 = 0,0385 para letras aleatórias e cerca de 0,066 para o inglês. O teste de Friedman dispõe o texto cifrado em linhas de comprimento k e conta as coincidências ao longo das colunas: quando k coincide com o comprimento da chave, ou com os seus múltiplos, cada coluna é uma versão deslocada do inglês e o seu IC regressa ao valor do inglês. O teste de Kasiski, publicado em 1863, analisa os fatores dos espaçamentos entre grupos repetidos de letras.
O que significa cada símbolo
L- o número de letras da chave
k- o comprimento de chave testado: o número de colunas em que o texto cifrado é distribuído
N- o número de letras da mensagem
n- na fórmula do IC, o número de ocorrências de uma dada letra
- Pressupõe
- Apenas letras: maiúsculas, minúsculas, espaços e pontuação são eliminados antes da cifragem, como no cartão de Carroll. «Inglês» designa aqui o Capítulo I de Alice no País das Maravilhas, com 8.606 letras; as suas frequências relativas e o seu IC de 0,0665 servem de referência a todos os testes, e os ensaios de eficácia recolhem excertos desse mesmo capítulo, o que favorece ligeiramente o ataque. O comprimento da chave é o menor k cujo IC médio das colunas atinge pelo menos três quartos do caminho entre 1/26 e o inglês. Chaves aleatórias sorteiam cada letra de forma uniforme, pelo que podem ter repetições; uma chave com repetição a meio do comprimento pode elevar a barra correspondente a essa metade acima da linha.
Problema resolvido na íntegra
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O cartão cifrado de Carroll estava certo? 4 passos
Lewis Carroll mandou imprimir um cartão a explicar esta cifra. O documento não tem data; as suas cartas sobre o envio de uma palavra-chave datam de abril de 1868, cinco anos após a publicação do livro de Kasiski. O cartão cifra «meet me on Tuesday evening at seven» com a palavra-chave vigilance e promete que será «impossível para qualquer pessoa que ignore a palavra-chave decifrar a mensagem, mesmo com o auxílio da tabela». Clique em Cartão de Carroll: conseguirá a ferramenta decifrar a mensagem? Em seguida, cifre o início do Capítulo I com essa mesma palavra-chave. De quantas letras precisa o algoritmo para recuperar a palavra VIGILANCE?
Abrir este problema na ferramenta
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Calcule uma letra à mão para verificar. m é 12 e v é 21; 12 + 21 = 33 e 33 − 26 = 7, que corresponde a h. O texto cifrado gerado, HMKBXEBPXPMYLLYRXIIQTOLTFGZZV, coincide letra por letra com o de Carroll.
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Com 29 letras em 9 colunas, temos duas colunas de 4 letras e sete de 3. Nenhum grupo de três letras se repete, não restando fatores para Kasiski analisar. Nenhuma barra atinge a linha fixada em 0,0595; a mais alta é k = 9, que marca 0,0556, acertando assim no comprimento. Ainda assim, calcular o qui-quadrado sobre três ou quatro letras equivale quase a adivinhar: a chave obtida é HIGXXLNPM, com apenas 3 das suas 9 letras certas e 10 das 29 letras da mensagem.
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Clique em VIGILANCE, 189 letras: o início do capítulo sob a palavra-chave de Carroll, com 21 letras por coluna. A barra 9 é a primeira a cruzar a linha, com 0,0794, e 4 dos 5 espaçamentos entre grupos repetidos são múltiplos de 9 (54, 36, 27 e 72; o quinto é 29). Todas as nove colunas saem certas, e com elas todas as 189 letras.
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Mude o número de letras para 188. O comprimento continua a ser 9, mas a coluna 9 passa a ter 20 letras e aproxima-se mais de T do que de E: recuperam-se 168 de 188 letras. A 189.ª letra calha precisamente na coluna 9 e faz pender a decisão para o E.
Resposta
Na prática da ferramenta, a mensagem do próprio Carroll resiste, mas 189 letras de Alice não. Três ou quatro letras por coluna é uma amostra insuficiente para uma boa contagem, devolvendo a chave HIGXXLNPM; 21 letras por coluna já bastam para reconstituir VIGILANCE. O que protegeu a mensagem de Carroll foi a sua brevidade. Se alguém que adivinhasse uma das palavras, por exemplo «Tuesday», conseguiria ler o restante, a página não tem como avaliar: o seu único método é contar letras.
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Percurso de aprendizagem
Como se quebram os códigos
Referências (3)
- The two ends of the bar chart in the first insight (.066 for a correct period, .038 for a wrong one), and the method itself: write the ciphertext in lines of the assumed period and count coincidences down the columns, for each assumption in turn: William F. Friedman, "The Index of Coincidence and Its Applications in Cryptanalysis," Technical Paper, War Department, Office of the Chief Signal Officer. Washington: Government Printing Office, 1935. A 1923 revision of the paper of the same title published in 1922 by the Riverbank Laboratories. p. 11.
- Kasiski's 1863 book and what his method does (repetitions, their spacings factored, the key length, then letter frequencies), in the lesson's definition: David Kahn, "Kasiski, Friedrich W.," in Neue Deutsche Biographie 11 (1977), pp. 317 f.
- Carroll's Alphabet-Cipher card, its example (vigilance, 'meet me on Tuesday evening at seven', the ciphertext the page reproduces) and its promise, in the worked problem; the April 1868 letters about a key-word: Lewis Carroll (C. L. Dodgson), "The Alphabet-Cipher," printed card, undated (c. 1868). Images of both sides and an account of the letters at Lewis Carroll Resources, "Ciphers."