Pêndulo Simples / MHS

período, energia e isocronismo — animados

A carregar a simulação interativa...

por que a massa não importa — Galileu tinha razão 🖖

Solte uma bola de 10 kg e uma pena de 1 g da mesma altura (sem resistência do ar) e elas pousam ao mesmo tempo. O mesmo cancelamento governa o pêndulo: a gravidade puxa mais forte em um bob mais pesado, mas ele também tem mais inércia. Os dois efeitos se cancelam exatamente e a massa desaparece da equação. Só comprimento e gravidade importam. Os dois pêndulos animados abaixo têm o mesmo comprimento mas gravidades diferentes — a Terra bate rápido, a Lua bate devagar.

isocronismo — por que o pêndulo marca o tempo 🖖

Empurre um pêndulo de leve ou dê um impulso forte: para oscilações moderadas, cada ida e volta leva quase exatamente o mesmo tempo. Essa independência da amplitude chama-se isocronismo, e é por isso que um pêndulo mantém o tempo de forma estável mesmo quando sua oscilação vai se apagando aos poucos. O período segue T = 2π√(L/g), então o comprimento manda por uma raiz quadrada: para um tique duas vezes mais lento, você precisa de quatro vezes o comprimento, não o dobro.

um relógio que mediu a forma da Terra 🖖

Em 1672, o astrônomo Jean Richer levou um relógio de pêndulo preciso de Paris a Caiena, perto do equador — e lá ele atrasava cerca de 2,5 minutos por dia. Não fora o pêndulo que mudara, e sim a gravidade. A Terra gira, então se abaula no equador, onde g é mais fraco, alongando ligeiramente cada período. Newton aproveitou isso: um humilde relógio havia medido a forma do planeta, provando que a Terra é um esferoide achatado, não uma esfera perfeita.

O PÊNDULO — O QUE MUDA O PERÍODO, E O QUE NÃO MUDA?

Em que caso de pêndulo você está?

Para oscilações pequenas o período é T = 2π√(L/g), e o marcante é o que falta na fórmula: a massa e o quanto você o puxou. Só contam o comprimento e a gravidade local, e ambos apenas como raiz quadrada. Essa independência fez do pêndulo o relógio do mundo por três séculos — e é uma aproximação, que começa a falhar assim que a oscilação fica larga.

O caso de ângulo pequeno — comprimento e gravidade, nada mais T = 2π√(L/g)
Mude a gravidade — o mesmo pêndulo anda mais devagar T ∝ 1/√g
Mude o comprimento — quatro vezes mais longo é duas vezes mais lento T ∝ √L
Oscilação larga — a fórmula de ângulo pequeno relata de menos, em silêncio T = T₀(1 + k²/4 + …)

01

O caso de ângulo pequeno — comprimento e gravidade, nada mais

O que você sabe: Uma oscilação de poucos graus, em que vale sin θ ≈ θ. O período é T = 2π√(L/g) e nele não aparecem nem a massa nem a amplitude.

Período: T = 2π√(L/g)

Exemplo resolvido: L = 1 m na Terra com oscilação de 10° → T = 2π√(1/9,81) = 2,006 s

Abrir este caso: 1m, Terra
O caso de ângulo pequeno — comprimento e gravidade, nada mais. Um pêndulo de um metro leva na Terra quase exatamente dois segundos por oscilação. Uma oscilação de poucos graus, em que vale sin θ ≈ θ. O período é T = 2π√(L/g) e nele não aparecem nem a massa nem a amplitude.
Um pêndulo de um metro leva na Terra quase exatamente dois segundos por oscilação.

02

Mude a gravidade — o mesmo pêndulo anda mais devagar

O que você sabe: O mesmo comprimento em outro lugar. T vai com 1/√g, então gravidade mais fraca significa período mais longo e um relógio que atrasa.

Período: T ∝ 1/√g

Exemplo resolvido: O mesmo pêndulo de 1 m na Lua, g = 1,62 m/s² → T = 4,937 s, cerca de 2,46 vezes o valor terrestre

Abrir este caso: 1m, Lua
Mude a gravidade — o mesmo pêndulo anda mais devagar. Gravidade mais fraca, período mais longo: o mesmo comprimento leva quase duas vezes e meia mais. O mesmo comprimento em outro lugar. T vai com 1/√g, então gravidade mais fraca significa período mais longo e um relógio que atrasa.
Gravidade mais fraca, período mais longo: o mesmo comprimento leva quase duas vezes e meia mais.

03

Mude o comprimento — quatro vezes mais longo é duas vezes mais lento

O que você sabe: De novo a raiz quadrada, desta vez sobre L. Quadruplicar o comprimento dobra o período; para dobrar o período é preciso quadruplicar o comprimento.

Período: T ∝ √L

Exemplo resolvido: L = 4 m na Terra → T = 2π√(4/9,81) = 4,012 s, exatamente o dobro do valor de um metro

Abrir este caso: 4m, Terra
Mude o comprimento — quatro vezes mais longo é duas vezes mais lento. Quatro vezes o comprimento dá o dobro do período — a raiz quadrada em ação. De novo a raiz quadrada, desta vez sobre L. Quadruplicar o comprimento dobra o período; para dobrar o período é preciso quadruplicar o comprimento.
Quatro vezes o comprimento dá o dobro do período — a raiz quadrada em ação.

04

Oscilação larga — a fórmula de ângulo pequeno relata de menos, em silêncio

O que você sabe: Passados uns 15°, a aproximação sin θ ≈ θ deixa de servir e o período verdadeiro cresce com a amplitude. A fórmula simples passa a ser um limite inferior, não uma resposta.

Período: T = T₀(1 + k²/4 + …)

Exemplo resolvido: L = 1 m solto de 75° → o período exato é 2,241 s contra os 2,006 s da fórmula de ângulo pequeno: 11,7 % a menos

Abrir este caso: ângulo grande
Oscilação larga — a fórmula de ângulo pequeno relata de menos, em silêncio. A 75° a oscilação real leva sensivelmente mais tempo do que prevê a fórmula de ângulo pequeno. Passados uns 15°, a aproximação sin θ ≈ θ deixa de servir e o período verdadeiro cresce com a amplitude. A fórmula simples passa a ser um limite inferior, não uma resposta.
A 75° a oscilação real leva sensivelmente mais tempo do que prevê a fórmula de ângulo pequeno.
Referências (1)
  • Insight block 3 — the clock that lost time at the equator: J. Richer, Observations astronomiques et physiques faites en l'isle de Caïenne. Paris, 1679. Newton takes up the result in Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica, Book III, as evidence that the Earth is oblate.

Problema resolvido na íntegra

  1. O período de um pêndulo de 1 m largado a 20° 5 passos

    Determine o período de um pêndulo de 1 m libertado a 20° e descubra quão errada está a fórmula do manual — porque a fórmula do manual não é a resposta. Considere g = 9,81 m/s².

    1. O binário restaurador varia com sin θ, o que não produz um movimento harmónico simples. A famosa fórmula só surge após a substituição de sin θ por θ — uma aproximação, não uma dedução, e tudo o que se segue herda-a.

    2. Com essa troca, a equação passa a ser a do oscilador harmónico e o período obtém-se diretamente. Note o que ela não contém: a massa e a amplitude. Ambas as ausências são consequências da aproximação, não do pêndulo.

    3. O período exato é um integral elíptico, mas o seu desenvolvimento em série indica a rapidez com que a aproximação perde precisão. A correção é quadrática no ângulo de libertação, em radianos.

    4. Calcule-o. Este é o valor que o simulador acima apresenta, porque utiliza o período corrigido em vez do do manual.

    5. A velocidade máxima resulta exclusivamente da energia — a altura de queda ℓ(1−cos θ₀) convertida em energia cinética — e não requer qualquer aproximação.

    Resposta

    2,021 s, contra os 2,006 s do manual. A diferença de 0,76% é pequena, mas não é ruído: um relógio construído com base na fórmula para pequenas amplitudes e a oscilar a 20° perde cerca de 11 minutos por dia. É por isso que os relógios de pêndulo usam amplitudes pequenas e por que motivo Huygens se deu ao trabalho de criar uma suspensão cicloidal em 1656 — tinha descoberto que os pêndulos circulares não são isócronos. A independência da amplitude de que todos se lembram é uma propriedade da aproximação, não do pêndulo.

Percurso de aprendizagem

Círculos e ondas são o mesmo movimento

Conduz a fourier-series

Problemas de exemplo

  • 1m, Terra - L=1m, Terra — T=2.006 s, o comprimento clássico do relógio de pêndulo
  • 1m, Lua - L=1m, Lua (g=1.62) — T=4.946 s, 2.5× mais lento que na Terra
  • 4m, Terra - L=4m, Terra — T=4.020 s; quadruplicar o comprimento dobra o período
  • ângulo grande - θ₀=75°, L=1m — T≈2.17 s; o período exato é ~8% maior que a aproximação de pequenos ângulos