Lição
A teoria — Teste F da ANOVA
Uma ANOVA de um factor não pergunta se várias médias de grupos diferem — médias medidas diferem sempre um pouco. Pergunta se diferem mais do que a simples amostragem ao acaso produziria. A estatística F torna isso comparável pondo a dispersão entre as médias dos grupos sobre a dispersão dentro deles, e o valor p diz com que frequência o acaso sozinho alcançaria um quociente tão grande.
O que significa cada símbolo
MS_between- o quadrado médio entre grupos: a que distância as médias dos grupos ficam da média global, por grau de liberdade.
MS_within- o quadrado médio dentro dos grupos: a dispersão comum das observações à volta da média do seu próprio grupo. É esta a bitola.
F- o quociente dos dois. À volta de 1 quando os grupos se parecem, porque então ambos estimam a mesma coisa.
p- a probabilidade de grupos verdadeiramente idênticos produzirem um F pelo menos tão grande.
De onde vem a fórmula
- Suponha por momentos que todos os grupos têm a mesma média. Então as observações são todas retiradas de uma única população, e há duas maneiras independentes de estimar a variância dessa população a partir dos seus dados.
- A primeira ignora por completo o agrupamento e mede apenas a dispersão dentro de cada grupo: é o
MS_within. Estima a variância da população quer as médias difiram quer não, e é isso que faz dela uma bitola justa. - A segunda usa apenas as médias dos grupos. Se os grupos forem realmente idênticos, as médias afastam-se mesmo assim por mera amostragem, e o tamanho desse tremor é ele próprio uma estimativa da mesma variância: é o
MS_between. Se as médias não forem idênticas, esta segunda estimativa fica ainda inflada pelas diferenças reais. - Portanto o quociente
F = MS_between / MS_withinopõe uma estimativa que cresce quando as médias diferem a outra que não cresce. Sob «todas as médias iguais» deveria cair perto de 1 e segue uma distribuição conhecida — a curva desenhada acima, fixada inteiramente pelos dois graus de liberdade. O valor p é a área dessa curva à direita do seu F.
Como ler o que vê
A curva azul é o que F faria se todas as médias dos grupos fossem idênticas, e não depende de mais nada além dos dois graus de liberdade — não dos seus dados. A cauda sombreada a vermelho é a região de rejeição: os valores tão afastados que ocorreriam por acaso menos de α das vezes, com a linha tracejada no valor crítico a marcar onde começa. A linha verde é onde o seu F caiu de facto. Todo o teste se resume a de que lado da linha tracejada fica a verde, e o valor p é a área à direita dela.
- Pressupõe
- Observações independentes umas das outras, aproximadamente normais dentro de cada grupo e — a que morde — variâncias aproximadamente iguais entre grupos. Esta página parte dos dois quadrados médios e não dos seus dados, pelo que não pode verificar nenhuma das três por si. Calculará de bom grado um valor p de aspecto seguro a partir de qualquer par de números positivos.
- Falha quando
- A igualdade de variâncias é onde as coisas correm mal em silêncio. O
MS_withinjunta a dispersão de todos os grupos numa bitola única e, se um grupo for muito mais variável do que os outros, essa bitola não descreve nenhum deles; a estatística deixa de seguir a curva acima e o valor p mede uma área sob a distribuição errada. O remédio habitual é a ANOVA de Welch, que não junta. Dimensões desiguais dos grupos agravam o mesmo problema, porque a estimativa conjunta passa a ser dominada pelo grupo maior.
Problema resolvido na íntegra
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Três grupos, trinta observações e um F de 1,33 5 passos
Três grupos, trinta observações e um F de 1,33 que não é significativo. Determine de onde vêm esses graus de liberdade e por que razão não pode simplesmente efetuar três testes t em vez disso.
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A estatística F é a razão entre duas estimativas de variância: o quanto as médias dos grupos diferem, sobre o quanto as observações se dispersam dentro dos grupos. Um valor próximo de 1 indica que os grupos diferem sensivelmente o mesmo que o mero acaso produziria.
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Os graus de liberdade revelam o plano experimental sem que lhe seja dito. O primeiro é o número de grupos menos um, logo há três grupos; o segundo é o total de observações menos o número de grupos, logo há trinta observações.
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Multiplicar cada quadrado médio pelos seus graus de liberdade recupera as somas de quadrados — 8 entre grupos e 81 dentro dos grupos, 89 no total.
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A sua razão é o eta quadrado, a proporção da variação total explicada pelo agrupamento. Nove por cento.
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A alternativa é comparar os três grupos dois a dois, o que equivale a três testes t. Cada um tem uma taxa de falsos positivos de 5%, pelo que a probabilidade de pelo menos um falso alarme é 1 − 0,95³.
Resposta
A ferramenta apresenta F = 1,3333, graus de liberdade (2, 27) e η² = 0,0899. Daqui decorrem duas coisas. Em primeiro lugar, o tamanho do efeito não é zero — o agrupamento explica efetivamente 9% da variação —, mas com tanta dispersão dentro dos grupos isso nada tem de invulgar, o que é exatamente o significado de um F não significativo e precisamente o que as pessoas esquecem ao interpretá-lo como "sem diferença". Em segundo lugar, a razão pela qual a ANOVA existe: três testes t comparando os grupos dois a dois envolvem uma probabilidade de 14,3% de ter pelo menos um falso positivo, contra os 5% que julgava estar a assumir; e com cinco grupos isso passa a dez testes e 40%. Um único teste a todos os grupos em simultâneo é a solução.
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Percurso de aprendizagem
Quando é que uma diferença é real?
Referências (3)
- The paper that introduced the word “variance” and the decomposition the lesson derives: R. A. Fisher, "The Correlation between Relatives on the Supposition of Mendelian Inheritance." Transactions of the Royal Society of Edinburgh 52(2), 399–433, 1919 (read 1918).
- The repair when the groups do not share a variance, which is the assumption this page cannot check for you: B. L. Welch, "On the Comparison of Several Mean Values: An Alternative Approach." Biometrika 38(3/4), 330–336, 1951.
- Where small-sample testing came from, and why a RATIO of variances was the right thing to look at: G. E. P. Box, "Guinness, Gosset, Fisher, and Small Samples." Statistical Science 2(1), 45–52, 1987.