Lição
A teoria — Raio de Convergência
O raio de convergência de uma série de potências Σ cn(x − a)n é o número R para o qual a série converge quando |x − a| < R e diverge quando |x − a| > R. Para 1/(1 + x²), R é a distância de a até ao ponto mais próximo do plano complexo onde a função explode, i ou −i. Logo, R = √(1 + a²).
O que significa cada símbolo
R- o raio de convergência em torno de a, |a − i| = √(1 + a²)
q- (a − x)/(a − i); o seu módulo |x − a|/R indica a quantos raios o ponto x dista do centro
De onde vem a fórmula
- A origem dos coeficientes. Decomponha 1/(1 + z²) em (1/2i)[1/(z − i) − 1/(z + i)]. Cada parcela revela-se uma série geométrica em torno de a: 1/(z − i) = 1/((a − i) + (z − a)) = Σ (−1)n(z − a)n/(a − i)n+1, que converge exatamente quando |z − a| < |a − i|. A segunda parcela funciona de forma idêntica para a + i, à mesma distância. Em consequência, ambas param em R = √(1 + a²).
- Por que o erro é uma potência de q. Uma série geométrica interrompida ao fim de N + 1 termos deixa como resto qN+1 vezes o total. Assim, tem-se de forma exata f(x) − TN(x) = Im[qN+1/(x − i)]. O seu módulo máximo atinge |q|N+1/√(1 + x²). A expressão decai como uma progressão geométrica se |q| < 1, cresce da mesma forma se |q| > 1 e não se esvanece nem aumenta quando |q| = 1.
Problema resolvido na íntegra
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A série falha em x = 1. E a sua integral? 4 passos
Integre o polinómio de grau 80 de 0 a 1, termo a termo, e compare-o com a área exata sob 1/(1 + x²). Em x = 1, a série em si não estabiliza. O que acontece com a área?
Abrir este problema na ferramenta
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A área verdadeira é um arco-tangente:
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Termo a termo, cada x2k torna-se 1/(2k + 1):
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A diferença é a integral do erro, que a série geométrica exprime de forma exata. Sabemos ainda que 1/(1 + x²) se situa entre ½ e 1 em [0, 1]:
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Esse limite tende para 0 à medida que o grau aumenta. Assim, a série alternada de inversos ímpares converge para π/4:
Resposta
A área converge onde a série não o fez: 0,7914948 contra π/4 = 0,7853982. Cada par extra de graus fecha essa lacuna. A convergência é lenta, dado que o erro após n termos ronda 1/(4n). Por essa razão, um erro de um milionésimo exige cerca de 250.000 termos. Repare também que a convergência é apenas condicional, uma vez que 1 + ⅓ + ⅕ + … diverge. Esta é exatamente a espécie de série que Riemann provou ser possível reordenar de modo a somar um número qualquer. No mesmo ensaio de 1854, ele notou que as séries de potências de uma variável convergem absolutamente, salvo valores pontuais da variável. O ponto x = 1 é um desses valores.
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Percurso de aprendizagem
Séries infinitas e convergência
Referências (2)
- The theorem the page draws, that a function holomorphic on a region can be expanded about any point into a power series whose radius is at least the distance to the region's boundary, and this page's own example, 1/(z² + 1) about 0, radius 1 because of the singularities at ±i: M. Beck, G. Marchesi, D. Pixton and L. Sabalka, A First Course in Complex Analysis, edition 1.6 (2025), open textbook, Corollary 8.1.10 and Example 8.1.11.
- Riemann's remark, in the essay where he gave the rearrangement theorem, that series in rising powers of a variable belong to the class that converges absolutely, single values of the variable excepted: B. Riemann, "Ueber die Darstellbarkeit einer Function durch eine trigonometrische Reihe", Habilitationsschrift, Göttingen 1854; published by R. Dedekind in Abhandlungen der Königlichen Gesellschaft der Wissenschaften zu Göttingen 13 (1867), §3. Transcribed by D. R. Wilkins, Trinity College Dublin.