Lição
A teoria — Princípio da incerteza e pacotes de ondas
Um pacote de ondas é uma soma de ondas planas eikx, cujas amplitudes φ(k) se distribuem por um intervalo de números de onda e se combinam numa onda confinada a uma região. As larguras Δx e Δk são os desvios padrão de |ψ(x)|² e |φ(k)|². Para qualquer soma deste tipo, Δx·Δk ≥ ½, com igualdade apenas no caso gaussiano. Numa onda de matéria, o momento linear é p = ħk; a mesma desigualdade torna-se, portanto, o princípio da incerteza de Heisenberg: Δx·Δp ≥ ħ/2.
O que significa cada símbolo
Δx- o desvio padrão da posição, obtido de |ψ(x)|²
Δk- o desvio padrão do número de onda, obtido do espetro |φ(k)|²
Δp- o desvio padrão do momento linear, ħΔk
ħ- a constante de Planck reduzida, h/2π = 1,055×10⁻³⁴ J s
t₂- o tempo que um pacote livre demora a duplicar o seu Δx
- Pressupõe
- Uma partícula livre numa dimensão, sem qualquer força a atuar após a libertação, e um pacote real e simétrico no instante em que é libertado. Assim, a sua velocidade média é nula e nenhuma das partes começa adiantada em relação às restantes. Adota-se a energia não relativista, E = p²/2m. As larguras são desvios padrão, daí o limite ½; se forem medidas como larguras a meia altura, o produto da gaussiana passa a ser 4 ln 2 ≈ 2,77.
- Falha quando
- Se a fase variar ao longo do pacote, como num pacote com modulação de frequência, |ψ(x)|² mantém-se, mas o espetro é mais largo e o produto fica acima do limite. Caso as componentes mais rápidas comecem atrás, o pacote estreita antes de se alargar. Uma força altera por completo esta evolução: num poço harmónico, uma gaussiana com a largura adequada, correspondente ao estado fundamental do oscilador, conserva indefinidamente essa largura. Na prática, nenhum grão de pó permanece isolado durante tempo suficiente para se alargar. As colisões com moléculas do ar e os fotões térmicos registam a sua posição muito antes de a largura poder duplicar. É este o domínio da decoerência.
Problema resolvido na íntegra
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Porque tem um átomo o tamanho que tem 5 passos
Um eletrão permanece junto de um protão devido à atração entre ambos. Se o princípio da incerteza determinar o seu menor momento linear, qual será o tamanho do átomo e com que energia estará o eletrão ligado? Prima Eletrão, 0,1 nm para o primeiro passo.
Abrir este problema na ferramenta
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Confinado a Δx = 0,1 nm, o menor desvio do momento linear permitido pelo limite é ħ/2Δx, valor que a página apresenta para a gaussiana:
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Só este desvio já corresponde à energia cinética:
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Designe agora o confinamento por r, aproxime o momento linear por ħ/r e acrescente a atração exercida pelo protão. A energia total é
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A energia é mínima quando a sua derivada se anula:
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e a energia mínima é
Resposta
A estimativa coloca o eletrão a 0,05292 nm do protão, ligado por 13,61 eV: obtêm-se o raio de Bohr e, com um erro inferior a 0,1%, a energia de ionização do hidrogénio. Parte desta concordância é fortuita, pois p ≈ ħ/r é uma escolha; com ħ/2r, o raio seria quatro vezes menor. Mas não é por acaso que o átomo tem um tamanho. Aproximar mais o eletrão aumenta a sua energia cinética como 1/r², enquanto o ganho devido à atração cresce apenas como 1/r. Abaixo de certo raio, comprimir custa mais energia do que permite ganhar. Um eletrão clássico não teria esse limite e cairia sobre o protão.
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Percurso de aprendizagem
Mecânica quântica: a matéria como onda
Referências (3)
- A packet built from plane waves, how its width grows once released, σ²(t) = Δx² + α²t²/(4Δx²) with α = ħ/m, and Δx·Δk ≳ ½ from the same analysis: R. Fitzpatrick, "Evolution of Wave Packets" and "Heisenberg's Uncertainty Principle", in Quantum Mechanics (lecture notes), Department of Physics, University of Texas at Austin, 2010.
- The mathematics of the inequality: Heisenberg's Δx·Δk ≥ ½ for any square-integrable function, with equality only for Gaussians, and its many variants: G. B. Folland and A. Sitaram, "The uncertainty principle: A mathematical survey", Journal of Fourier Analysis and Applications 3, 207–238 (1997).
- The constants, ħ = h/2π, the electron and proton masses and ε₀, and the Bohr radius the worked problem lands on: E. Tiesinga, P. J. Mohr, D. B. Newell and B. N. Taylor, "CODATA recommended values of the fundamental physical constants: 2018", Reviews of Modern Physics 93, 025010 (2021); values as printed on NIST's CODATA 2018 wall chart.