Lição
A teoria — Resistência e Resistividade de Condutores
A resistência de um fio é R = ρL/A. Representa a resistividade ρ do material multiplicada pelo seu comprimento, a dividir pela área da secção transversal. A resistividade mede-se em ohm-metros e pertence exclusivamente à substância. O cobre apresenta 1,68 × 10⁻⁸ Ω·m quer seja um cabelo ou um barramento, ficando o formato do fio totalmente a cargo de L e A. A área relaciona-se com o diâmetro ao quadrado, A = πd²/4, pelo que a espessura conta a dobrar. A resistividade altera-se com a temperatura. Esta página utiliza a forma de primeira ordem ρ(T) = ρ₂₀(1 + α(T − 20)).
O que significa cada símbolo
ρ- resistividade, em ohm-metros. É uma propriedade do material e nada mais; a forma do fio não interfere
L- comprimento do condutor, em metros. Num cabo isto engloba a ida E a volta, detalhe abordado no problema resolvido
A- área da secção transversal, em m². Corresponde a πd²/4 para um fio redondo, logo duplicar o diâmetro divide a resistência por quatro
α- coeficiente de temperatura, por kelvin. Ronda 0,004 para um metal puro e revela-se dez vezes menor numa liga de resistência
R- resistência desse troço específico de fio, em ohms — a única grandeza apresentada que depende de todas as outras
- Pressupõe
- Assume-se corrente contínua, um condutor de material único com secção redonda constante e uma resistividade linear através do valor a 20 °C. Os números dizem respeito a metais puros recozidos. Um cabo comercial sofre adição de ligas e encruamento, registando valores percentuais ligeiramente superiores. O nicromo é antes uma família de composições, pelo que deve tratar 1,10 × 10⁻⁶ Ω·m como o centro do intervalo. A coluna da massa refere-se apenas ao condutor, excluindo isolamento, núcleo de aço e flecha de curvatura.
- Falha quando
- Afasta-se da realidade longe dos 20 °C, limite honesto para a reta descrita acima. Extrapolar o modelo para o filamento de uma lâmpada a 2.800 °C devolve 13,5 vezes a resistência à temperatura ambiente. O valor real para o tungsténio é superior. É precisamente por isso que Resistências em Série e Paralelo afirma que um filamento conduz melhor frio que quente e recusa dar-lhe um número preciso. O modelo falha ainda em quatro vertentes. A corrente alternada empurra a carga para a superfície, forçando o condutor grosso a ignorar o seu centro e reduzindo a área efetiva face a πd²/4. Os semicondutores e o carbono invertem o coeficiente e conduzem melhor à medida que aquecem. Um supercondutor anula totalmente ρ, instante em que R = ρL/A deixa de funcionar. Nas extremidades de qualquer fio real surge ainda a resistência de contacto. Esta variável pertence à união e não ao metal, sendo a verdadeira responsável pela queima das ligações soltas.
Problema resolvido na íntegra
-
Aquecedor de 2 kW no final de 100 metros de cabo flexível 6 passos
Um aquecedor de 2 kW está ligado a uma extensão de 100 m em cabo flexível de cobre de 1,5 mm², alimentada a 230 V. Calcule quanto desses 2 kW atinge efetivamente o aquecedor, antes de prosseguir a leitura. Pressione Extensão de 100 m para ver a primeira metade na ferramenta.
Abrir este problema na ferramenta
-
O rótulo indica 1,5 mm², referindo-se à área de um condutor. O respetivo diâmetro é de 1,382 mm e a área apresentada na ferramenta equivale a 1,5001 mm².
-
Chegamos ao passo que quase todos ignoram. Uma extensão de 100 m leva a corrente 100 m num sentido e 100 m no regresso, logo o condutor mede 200 m de comprimento.
-
Calculando ρL/A com o cobre a 1,68 × 10⁻⁸ Ω·m: 2,2399 Ω.
-
Considere a corrente implícita na potência do aquecedor, 8,696 A. Isso resultaria numa perda de 19,478 V ao longo do cabo, retendo aí 169,4 W. Estes são os dois valores apresentados pela ferramenta.
-
Contudo essa corrente está errada e o motivo reside na lição anterior. A extensão e o aquecedor encontram-se em série, logo a alimentação vê ambos. Um aquecedor de 2 kW a 230 V tem 26,45 Ω. O par totaliza 28,6899 Ω, e a corrente real desce para 8,0168 A.
-
Refaça os dois cálculos com a corrente que efetivamente circula. O aquecedor passa a dispor de uma tensão de 212,04 V e entrega 1.699,9 W. O cabo absorve 144,0 W.
Resposta
O aquecedor debita 1.699,9 W dos seus 2.000, pelo que 300,1 W de aquecimento pura e simplesmente nunca acontecem. Apenas 144,0 W desta quebra aquecem o cabo. Os restantes 156,1 W nem sequer são extraídos da rede. O aquecedor é uma resistência, e uma resistência a 212 V consome menos corrente que a mesma resistência a 230 V. O cálculo ingénuo falha nessa vertente a favor da segurança, pois sobrestima a corrente e agrava o valor da perda no cabo em 18%. O perigo subestimado reside num cenário bem distinto. Surge nos 144 W estagnados no interior de uma bobina enrolada, sem via de fuga para o calor.
-
Percurso de aprendizagem
O que a lei de Ohm deixa de fora
Referências (3)
- Where the resistivity of an element and its temperature dependence are tabulated. This is the source for the SHAPE of what this page computes; the figures it prints are the standard handbook set, and the note below says so: P. D. Desai, T. K. Chu, H. M. James and C. Y. Ho, "Electrical Resistivity of Selected Elements." Journal of Physical and Chemical Reference Data 13(4), 1984, pp. 1069-1096. DOI 10.1063/1.555723
- The combination rules and the three forms of resistive power the last two steps of the worked problem use. Cited on Ohm's Law and on Resistors in Series and Parallel as well, deliberately: one circuits text across the chapter. J. W. Nilsson and S. A. Riedel, Electric Circuits, 10th ed. Pearson/Prentice Hall, 2015. ISBN 978-0-13-376003-3.
- Insight block 1 as a live engineering decision rather than a physics exercise. Modern overhead lines trade the same two properties this page divides against each other, and the paper costs out the result on ultra-high-voltage spans: Y. Zhang, H. Sun, X. Zhang, Z. Chen, L. Zhou and X. Huang, "Economic analysis of aluminium conductor composite core and conventional aluminium conductor steel reinforced conductors in overhead ultra-high voltage transmission lines." IET Generation, Transmission & Distribution 17(5), 2023, pp. 1098-1110. DOI 10.1049/gtd2.12719